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FOTÓGRAFOS PELO XINGU

16/07/2020

 

Culturas inteiras estão em risco. A covid-19 chegou ao Território Indígena do Xingu, cujas aldeias, sob o risco de desabastecimento, encontram-se particularmente vulneráveis. Em apoio a essas populações, o Instituto BEĨ, em parceria com a Fundação Tide Setúbal, está realizando uma campanha de arrecadação de fundos no Catarse.

Participam da iniciativa os fotógrafos Delfim Martins, Luciola Zvarick, Milton Guran, Rafael Costa, Renato Soares, Ricardo Teles, Rogério Reis e Sergio Ranalli, que cederam imagens realizadas no Xingu como recompensa para doações. A BEĨ Editora também se juntou à ação com alguns livros de seu catálogo.

 

Rafael Costa

 

Um exercício de empatia e alteridade

As fotografias disponibilizadas para a campanha impressionam pela beleza. Nelas, presenciamos o cotidiano das aldeias – as brincadeiras e o lazer, o trabalho e as cerimônias religiosas. Segundo Rafael Costa, esse material desmistifica as diferenças que segregam e distanciam os índios do restante do Brasil, sem deixar de exaltar as singularidades desses povos.

Rafael conheceu o Xingu em 2018, depois de trabalhar com a Coleção BEĨ de bancos indígenas. O poder de encantamento do imaginário das etnias da região – já presente nas formas e grafismos dos assentos – provou-se ainda mais intenso na aldeia. “Partimos daqui para a cultura mais radicalmente oposta à nossa”, diz o fotógrafo e antropólogo carioca Milton Guran a respeito de suas viagens, que descreve como  exercícios radicais de alteridade.

Para Guran, a qualidade da fotografia está em sua capacidade de reforçar e levar adiante uma cultura – e a beleza que resulta desse trabalho só é possível se existe empatia e compaixão entre fotógrafo e fotografado.

 

Milton Guran

 

Milton Guran: “O retrato dos povos indígenas do Brasil não é mais o de uma vida pobre a ser superada, tampouco o de uma civilização homogênea e exótica.”

 

Luciola Zvarick enfatiza que a experiência do Xingu forma um olhar sensibilizado pelo outro e aberto à compreensão do diferente. A fotógrafa e jornalista sentiu uma conexão intensa com o estilo de vida – distante daquele imposto pela sociedade de consumo – e com o pensamento dos povos do Xingu.

Na experiência de Sergio Ranalli, editor de fotografia da Folha de Londrina, o isolamento das aldeias do território proporcionou imersão completa em uma cultura que não apenas ensina e faz crescer como ser humano todo visitante, mas também leva a uma compreensão mais imediata da legitimidade e urgência da causa indígena.

 

Sergio Ranalli

 

A lente a serviço dos povos indígenas

Desde 1986, Renato Soares retrata os povos indígenas do Brasil. Para ele, é de responsabilidade dos fotógrafos que trabalham em aldeias destinar parte desses recursos às comunidades indígenas, o que, além de representar uma compensação justa para as pessoas retratadas, fortalece e legitima seu trabalho. Um terço do dinheiro arrecadado com as vendas de suas fotos volta para as aldeias onde ele trabalha – uma prática recorrente entre outros fotógrafos e agências, como a Imagens de Brasil e a Pulsar Imagens.

 

Renato Soares

 

Renato Soares: “Vivemos das personagens que fotografamos. É justo que haja um retorno.”

 

Após décadas de experiência com a fotografia, Delfim Martins idealizou a Pulsar Imagens, um banco de imagens que conta com cerca de 500 mil fotos e atende sobretudo editoras de livros didáticos voltados para a rede pública de ensino. Como as fotos realizadas no Xingu estão amparadas por termos de uso e respeitam a portaria da Funai referente ao direito de imagem dos índios e suas sociedades, a Pulsar oferece segurança jurídica a seus clientes. Um terço do valor dos registros de indígenas é destinado às aldeias.

Assim como há regras para entrar no Território Indígena do Xingu, o protocolo do uso de imagem surge como contrapartida social e contraponto ao regime de exploração que, como bem observa Rogério Reis, foi imposto aos índios do Brasil por centenas de anos.

Tanto Sergio Ranalli quando Ricardo Teles enxergam a fotografia como o maior vetor de informação sobre os povos indígenas do Brasil. Para Ranalli é especialmente importante o fato de o principal destino dessas fotos – que retratam um Xingu real e potente – serem os livros didáticos, uma vez que é a partir deles que a maioria das crianças tem seu primeiro contato com o universo indígena.

 

Delfim Martins

 

Imagens que contam histórias

Em 1978, quando esteve no Xingu pela primeira vez, Milton Guran se perguntou: “O que eu vou contar?”. Ali, na aldeia dos Kamaiurá, ele estava vendo coisas que as revistas e os jornais de grande circulação não mostravam. Foi então que o fotógrafo se deixou levar pelo olhar dos nativos e colocou sua lente a seu serviço.

“Foi um mergulho num universo novo”, lembra Ricardo Teles, que esteve no Xingu pela primeira vez junto da ONG Expedicionários da Saúde, e viu uma de suas fotografias, contemplada por um prêmio da Fundação Sinchi, circular pela Europa tempos depois. O fotógrafo, com vasta experiência no campo da etnografia, ficou encantado com a natureza intocada e o dia a dia fervilhante das aldeias.

 

Ricardo Teles

 

A fotografia tem o poder de recuperar uma cultura. Desde a época em que acompanhava Orlando Villas-Bôas, Renato Soares acredita que mostrar a beleza dos povos originários do Brasil gera mais comoção que apenas denunciar mazelas e expôr aldeias em situação de vulnerabilidade. Após exibir parte de seu trabalho para uma aldeia Yanomami em vias de abandonar os costumes e vestimentas tradicionais, Renato se deparou no dia seguinte com os índios pintados e paramentados como costumavam fazer antes. “Queremos ser fotografados assim, bonitos”, foi o que ele ouviu de um grupo que, da noite para o dia, recuperou sua autoestima. “Os índios transformaram a minha vida” – e a fotografia pode ajudar a salvar os povos indígenas.

 

Rogério Reis

 

Renato Soares: “É muito mais fácil dizer que os índios não existem mais, ou que eles querem ‘ser como nós’. Os índios querem liberdade para viver do seu jeito.”

 

Existe uma noção equivocada de que a vida nas aldeias é machista, com uma prevalência do elemento masculino. Um dos interesses de Luciola Zvarick é mostrar que essa relação é na verdade um tanto mais sutil do que parece. Os registros de Luciola deixam clara a força das mulheres, essenciais para o cotidiano dessas sociedades – inclusive em posições de liderança, como é o caso de Mapulu Kamaiurá. Luciola pôde acompanhar de perto algumas etapas da preparação da neta de Mapulu, que no futuro deve assumir o posto da avó.

 

Luciola Zvarick

 

Luciola Zvarick: “Minha vida passou a fazer mais sentido com essa troca que as viagens ao Xingu proporcionam.”

 

“Foi uma experiência mágica, pelo aprendizado na convivência”, sintetiza Ranalli, que esteve duas vezes em aldeias, acompanhado de Delfim Martins. Quem se dedica a conhecer o Xingu tem acesso a uma riqueza muito grande: basta levar consigo a curiosidade para enxergar a beleza das aldeias. Rogério Reis conta que, em suas redes sociais, as pessoas perguntam: “O que significa este símbolo? O que está acontecendo nesta foto? Para que serve este instrumento?”. Assim, o fotógrafo passa adiante, para um público amplo, a educação do olhar que adquiriu no contato direto com os povos indígenas – algo que, para Luciola, é possível somente se, em lugar de uma postura paternalista, o sentimento que direcione o olhar e as iniciativas de quem visita o Xingu seja a amizade.

 

Apoie!

O valor arrecadado pela iniciativa será integralmente destinado à Associação Terra Indígena do Xingu (ATIX), que fará a distribuição de medicamentos e produtos de higiene e proteção, a fim de evitar a disseminação de doenças e diminuir as necessidades de deslocamento para fora das aldeias. Também serão distribuídos alimentos não perecíveis e redes de pesca às aldeias que estão sofrendo com a escassez. Todas as medidas de higiene e prevenção serão tomadas durante a distribuição.

O Território Indígena do Xingu foi a primeira terra indígena homologada pelo governo federal, em 1961. Ele está localizado na região nordeste do estado do Mato Grosso, na porção sul da Amazônia brasileira e abriga mais de 6 mil habitantes de dezesseis etnias.

ACESSE AQUI  A CAMPANHA

 

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AJUDE OS POVOS INDÍGENAS DO XINGU NO COMBATE À COVID-19

07/07/2020

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A Covid-19 está se espalhando rapidamente nas aldeias do Xingu, colocando culturas inteiras em risco! Além disso, estão sofrendo com o fechamento de fronteiras, que impede o reabastecimento de alimentos, remédios e outros itens necessários para a sobrevivência de diversas comunidades.

Para apoiar esses povos, o Instituto BEĨ  e a Fundação Tide Setubal, criaram a campanha “Apoio aos indígenas do Xingu”.
Os fotógrafos Delfim Martins, Milton Guran, Rafael Costa, Renato Soares, Rogério Reis e Sergio Ranalli, disponibilizaram fotografias suas realizadas no Território Indígena do Xingu como forma de recompensa para doações e a BEĨ Editora disponibilizou livros de seu portfólio.

O valor arrecadado será destinado à Associação Terra Indígena Xingu – ATIX, que dará apoio às 114 aldeias do território.

Participe dessa campanha!
Compartilhe e ajuda a espalhar essa iniciativa. Os povos do Xingu contam com você!

ACESSE A CAMPANHA CLICANDO AQUI!

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