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Alex Vallauri: visionário e pioneiro

19/01/2012

Baixo Ribeiro

Um dia, na casa do amigo Maurício Vilaça, começamos a conversar sobre o Vallauri, que já havia falecido, e sobre as perspectivas da arte urbana para os anos que viriam a – era 1987 ou 1988. Apesar da aids e de todos os remédios que o Maurício tomava, a sua cabeça estava a mil; ele era um cara hiperativo. Na época, estávamos trabalhando juntos numa ópera pop que misturava personagens trash e ordinários a clássicos de todo o tipo, de Batman a Mozart, passando, claro pela Rainha do frango assado, de Vallauri.

O trabalho colaborativo era o que rolava então. (Já que grana não rolava mesmo! Entre planos econômicos absurdos, as produções artísticas de vanguarda tinham que ser feitas totalmente sem recursos.) E muito do que eu aprendi sobre parceria fundamentou-se naquele tempo. Voltando à conversa sobre o Vallauri: ela girava em torno exatamente do espírito colaborativo entre artistas, sobre a autoria da obra de arte, a arte livre no espaço público, a urbanidade e suas novas demandas e de como todas essas questões influenciariam o futuro da arte no Brasil e no mundo. Tínhamos certeza de que a arte que nascia nas ruas cresceria e seria muito mais popular, mais colaborativa e muito mais presente na vida da garotada que tava começando.

Infelizmente Vilaça não ficou muito mais tempo entre nós para ver com os próprios olhos que a cena do graffiti e da street art cresceria mesmo, como havíamos previsto naquelas conversas. Deixo aqui um brinde (tim-tim) tanto ao Vilaça quanto ao Vallauri, que, visionários e pioneiros, sabiam exatamente o que estavam fazendo e o faziam “por amor à causa”!

*Baixo Ribeiro é fundador da galeria Choque Cultural